No Brasil, a Associação Brasileira de Ozonioterapia (ABOZ) é a instituição que luta para tornar a prática reconhecida pela sistema de saúde do país e também realiza um importante trabalho de divulgação e conscientização dos benefícios do tratamento. Segundo a ABOZ, o ozônio é um eficiente agente para tratar diversos males devido as suas propriedade “anti-inflamatórias, antissépticas, de modulação do estresse oxidativo, da melhora da circulação periférica e da oxigenação”.
Para a médica veterinária Daniela Franco, que é especialista em homeopatia e autora do livro “A saúde quântica para os animais”, a terapia com ozônio pode alcançar índices de até 90% de sucesso quando acompanhadas de um bom diagnóstico e indicações corretas. Ela alerta também que há casos onde a ozonioterapia é melhor indicada. “Gosto de usar em geriatria em geral e todas as suas complicações como AVC, isquemia e cardiopatia. E também em casos de artrite e artrose, hérnias de disco, paresias (perda ou diminuição de motricidade), reabilitação fisioterápica, pós cirúrgica, dermatites gerais, sarnas, alergias diversas, insuficiência renal e hepática, câncer e infecções de repetição”, afirma a profissional.
Daniela informa também que a terapia, quando realizada respeitando as normas internacionais de segurança e por um profissional treinado, pode ser aplicada em qualquer animal doméstico e alerta, que apesar de natural e poderoso, o uso terapêutico do ozônio também possui contraindicações. “O ozônio é uma substância mesclada, constituída por duas moléculas de oxigeno e um átimo de oxigênio que é gerado pela máquina de plasma de ozônio, o que o difere daquele gás da camada de ozônio que nos mata quando inalado. Somente urubus não morrem ao aspirá-lo, por isso voam em grandes altitudes para se purificar e matar as bactérias necrotericas que ingerem dos cadáveres. Há três situações onde o uso é contraindicado: anemia hemolítica, uma condição delicada, pois o ozônio expande o volume sanguíneo, hipertiroidismo, doenças endócrina onde um dos sintomas é metabolismo acelerado, nesse caso o ozônio funcionaria como gasolina, e se já pudermos habitar outro planeta, porque todos os seres vivos, humanos e animais necessitam de oxigênio puro e medicinal que a molécula de ozônio (O3) nos oferece ao entrar em contato com nosso sangue”, salienta a médica.
Em uma entrevista à ANDA em 2015, Daniela Lopes abordou a importância de tratamentos naturais e alternativos para animais. Realizando um trabalho ímpar para a saúde de cães, gatos e outros animais domésticos, a profissional conta que a inspiração para investir na ozonioterpia veio dela mesma. “Tenho síndrome metabólica, uma desordem do eixo tireoidiano, pancreático e adrenal, pela medicina convencional tomaria insulina, tiroxina entre outras drogas imunossupressoras. Quando minha médica me indicou seu uso (ozônio), comprei a máquina e chorei de alegria pela recuperação. Imediatamente fui estudar e usar nos meus animais e pacientes. Sou muito feliz e convicta pela escolha”, conta a médica.
Com inúmeros benefícios e poucas contraindicações, devido a suas propriedades curativa pode, inclusive, ser utilizada como método preventivo contra doenças virais, degenerativas irreversíveis e síndromes autoimunes. Já o tempo de tratamento pode ser absvariável. “A duração é relativa à enfermidade, muitos casos têm indicação vitalícia, quando se deseja a conservação e qualidade de vida, é um grande analgésico, anti-inflamatório, antibactericida, antifúngico, oxigenador, antineoplasico, entre outro”, ressalta a especialista.
Scot: linfoma e esperança

O golden retriever Scot é atualmente um dos animais beneficiados pela ozonioterapia. Diagnosticado com linfoma, ele realiza a terapia há um ano e segundo sua tutora, a protética Carmem Silva (51) moradora de Campinas (SP), os resultados são notáveis. “Optei por esse tratamento para dar melhor qualidade de vida para ele. E tem dado resultado. Faz um ano que fazemos esse tratamento, junto com outros. Até a dieta dele é natural, nada artificial”, conta.
Carmem conta também que conheceu a ozonioterapia através de leituras e resolveu procurar uma clínica com esperança para a melhoria do quadro de Scot. “Conheci a ozoniotarpia lendo sobre e decidi procurar a clínica onde o Scot se trata até hoje. O que for necessário para o meu cachorro ter qualidade de vida eu vou fazer. Ele representa tudo para mim. Amo demais. Minha família, meu companheiro, meu tudo. Para muitos, um cachorro, para mim, um filho”, relata a tutora.
Resistência
Pesquisas científicas e publicações internacionais confirmam os benefícios, muitas vezes surpreendentes, da terapia com ozônio na Medicina Veterinária, o método, ainda desconhecido pela maior parte da população, sofre com a resistência de alguns profissionais. Os motivos variam, desde o conservadorismo à questões financeiras. “Atribuo a resistência primeiro pelo desconhecimento, pela posição da indústria farmacêutica em suprimir tudo que não esteja vendável e cause dependência. Ela (a ozonioterapia) existe há mais de 100 anos e é amplamente usada na Europa, tem caráter preventivo e terapêutico, no entanto, no Brasil, é influenciado pelos norte-americanos. Há uma certa dificuldade em orientalizar algumas terapias no meio acadêmico que estou, vejo um crescimento brutal da procura por parte de colegas. Há também resistência pelo desconhecimento e medo da concorrência, que pode haver em se tratando de uma terapia com baixíssimos efeitos colaterais, o que faria uma migração de consultórios”, conclui Daniela.



